Entrevista com Marcos Best


Admirado pela sua composição lírica, Marcos Best dá voz a quem passou anos sem ser ouvido. Seu amor pela poesia e pela arte são os ingredientes de suas criações. Ele é um contador de histórias que se esforça para conservar o hip hop como uma arte consciente e crua ao invés de uma trend mainstream.

Quando e o que te levou inicialmente a cantar?

Não me recordo exatamente de quando comecei a cantar ou a querer fazê-lo, mas sei que foi algo muito natural. A música rap sempre esteve presente na minha vida, a cultura hip hop passou a ser o meu estilo de vida e assim era natural eu expressar-me através do rap. De um momento para o outro as coisas começaram a ficar mais sérias, tive oportunidade de gravar as minhas primeiras músicas em 2006 e lembro-me que em 2008 já havia quem consumisse a minha música. Nunca tive uma razão para fazê-lo. Cantava porque gostava, porque sentia-me bem a fazê-lo e sabia que tinha talento para tal. Sempre foi a minha maneira preferida de comunicar.

O que representa a música para ti?

A música para mim é algo transcendente. Acho incrível como existe sempre uma música perfeita para cada momento da vida. É magico como cada música tem a sua história e cada um de nós tem uma história com diferentes músicas. Para mim a música é algo realmente profundo, com contornos espirituais até.

Como é que te caracterizas como artista?

Gosto de me ver como alguém versátil, com uma escritura crua, inteligente e incisiva.

Qual dirias que é a tua inspiração para compor e cantar?

A vida, a natureza, o curso e o ciclo das coisas.

Quais são algumas das causas centrais que abordas e representas na tua arte?

A minha arte sempre representou a minha vida em diferentes estágios. Relato muitos dos meus Traumas e dos meus amores como em “Ruinas”, “Mais que Dinheiro” e “Clyde Barrow”, embora durante maior parte da minha carreira tenha abordado também temas sociais como as desigualdades, a discriminação e o quotidiano dos bairros sociais como em “Está Tudo Bem” e “No Gueto”. Outras vezes gosto de contar histórias como em “Quem Vê Caras Não Vê Corações” onde canto sobre uma mulher emigrante com quem me cruzei numa noite no Bairro Alto.